Acadêmicos de Venda Nova - Escola de Samba de Belo Horizonte

Às vésperas das comemorações dos 70 anos do grande artista MILTON NASCIMENTO, a nossa Acadêmicos de Venda Nova canta a trajetória de vida, deste ícone da música mundial, em mil cores e tons através das suas composições, num enredo marcado pela emoção e riqueza do vasto repertório desse compositor que adotou Minas como sua terra natal. Das suas muitas obras, escolhemos algumas das mais marcantes, de sua carreira, para ilustrar as nossas alegorias, adereços e fantasias, ricas fontes de inspirações para os nossos desfilantes e carnavalescos. Nada mais autêntico e original para narrarmos, as suas travessias na vida, com o brilhantismo da sua própria arte.

Poucos são os artistas que conseguiram traduzir sua vida e seus sentimentos em versos e melodias, permitindo aos seus admiradores uma cumplicidade arrebatadora dessas emoções. Somos: Milton Nascimento, travessias, ouro, trem de ferro e Minas Gerais nesse carnaval de 2012. Clique e conheça o nosso enredo.

 

Ensaios da nossa Escola de Samba

  • Terça-feira e quinta-feira: das 19 as 21hs
  • Rua Soldado Manoel Ferreira, 146 - São João Batista - BH
  • Ônibus 2256 (descer no Conj. Bolivar de Freitas)
  • Sábado e domingo: das 18 as 20hs
  • Campo do Venda Nova Futebol Clube - Bairro Venda Nova
  • (Próximo a rua Soldado Manoel Ferreira)
Venda Nova embalada no Trem Azul de Mauro Bainha e família em 2012
(Texto e foto de Felipe Diniz - Carnavalbh2)

Ocorreu na tarde de domingo (18 de setembro) a escolha do samba de 2012 do GRES ACADÊMICOS DE VENDA NOVA, ilustrando o enredo “Travessia em MilTons“ que contará a vida e obra de Milton Nascimento na avenida.

O compositor Mauro Bainha, que cantou ao lado de seu filho Vitor VDS, conseguiu pela terceira vez colocar o seu nome na galeria de compositores da Venda Nova, já duas vezes campeã do carnaval de BH.

Uma tarde com samba e cerveja, descontraída e que contou com a presença de representantes das escolas de samba Galoucura, Força Real, além dos Blocos Caricatos Metralhas e Acadêmicos da Vila Estrela. E para quem achou que o evento ficaria apenas na escolha do samba enredo, também pôde conferir de perto os magníficos Fabinho do Terreiro, Janjão e Guilherme Mocidade dando um aperitivo de samba para o público presente. Conheça o samba campeão:

GRES Acadêmicos de Venda Nova
"Travessia em MilTons" - Carnaval 2012
Autores – Mauro Bainha, Douglas W S, Vitor V D S, Regina da Silva, Ewerton A S, Mauro Junior.

Vou de trem azul nessa travessia
Um beijo partido, Maria Maria
O cio da terra, cálix bento
E, lá vou eu, cantando Milton Nascimento (bis)
Soltando a voz pela estrada
O artista vai onde o povo está
Há um menino, há um moleque
Alô Bituca!
A Venda Nova vem te homenagear
Nada será como antes
De menestrel a orgulho brasileiro
Emocionando nossos corações
Cantando e encantando o mundo inteiro
Coração de estudante tem amor perfeito
Guarda o amigo do lado esquerdo do peito
Tem cravo e canela nos bailes da vida
Encontros e despedidas (bis)
A infância em Três Pontas,
Família e amigos que felicidade
Bola de meia e de gude, Lua de Prata
E serenata por toda cidade
Mil sonhos dentro de um fusquinha
Morar na pensão, saudade nos traz
Do Clube da Esquina em santa Tereza
Nos bons tempos de rapaz

 

Pesquisas.

A nossa Diretoria Artística e Cultural selecionou algumas pesquisas sobre a história do carnaval, especialmente para atender aos alunos nas suas tarefas escolares. Clique e conheça.

 

Lançamento do novo cd de Milton Nascimento (Reportagens do Jonal O Tempo)

Em seu novo disco, Milton Nascimento apresenta a nova geração de músicos de Três Pontas, cidade em que começou sua carreira. (por DANIEL BARBOSA)

 

Há mais de 50 anos, um jovem e promissor talento deixava o interior de Minas Gerais para ganhar o mundo com sua música. O nome de Milton Nascimento, hoje, figura no rol das estrelas da MPB, desfruta de prestígio que tange a unanimidade e reverbera no Brasil e no exterior. Todo esse reconhecimento, contudo, não o distanciou de Três Pontas, cidade em que viveu sua infância e adolescência. Bastou que ele a visse indicada em um livro sobre a música brasileira para pensar que, depois de sua partida, a cena musical de lá seguiu evoluindo. Esse foi o mote para que Milton fosse ao encontro da nova geração de músicos da cidade que o viu crescer e os aglutinasse para gravar seu novo álbum, "...E a Gente Sonhando", que, para o artista, funciona como uma espécie de acerto de contas com suas origens. "Ganhei um livro escrito por dois experts em música, dos Estados Unidos. Eles vieram para cá estudar o que se estava fazendo aqui, andaram o Brasil inteiro e fizeram nesse livro um mapa com os lugares em que foram, destacando o Estado e a capital, e o tipo de música característica. Então tinha lá, por exemplo, Pará, Belém, lambada. Quando fui ver Minas Gerais, tinha Belo Horizonte e também Três Pontas. Levei um susto", diz Milton, explicando o que o moveu a realizar "... E a Gente Sonhando". Ele conta que, para chegar aos jovens músicos, entre instrumentistas e cantores, que figuram nos créditos de seu novo álbum, contou com a ajuda de um amigo de longa data, Marco Elízeo, também músico, natural de Três Pontas. "Eu não tinha contato com a meninada, o Marco é que começou a me apresentar. Eu conhecia as famílias, mas ainda não tinha visto o pessoal tocando. Passei a ir com mais frequência e, em três dias, fiquei conhecendo mais de 30 músicos da nova geração. Juntamos todos, fomos para a casa da minha irmã, lá em Três Pontas mesmo, e disse a eles que gostaria que fizessem parte de um CD meu", recorda, situando que esse primeiro contato se deu na época em que estava gravando seu último disco de inéditas, "Pietá", de 2002. "Na verdade, eu já estava pensando, desde aquele momento, em gravar um disco inteiro com eles, e assim aconteceu", completa. Marco Elízeo aponta que o primeiro bate-bola entre Milton e os jovens músicos de Três Pontas se deu na música "Paciência", de Lenine e Dudu Falcão, incluída como bônus no DVD "Pietá". "Foi um trabalho que o Bituca me chamou para fazer com ele, isso por volta de 2002. Eu não esperava, foi uma surpresa. Ele começou a frequentar mais Três Pontas e a conhecer o pessoal da música aqui. Eu aglutinei a turma, porque atuo na cena da cidade há muitos anos e conheço bastante gente do meio", diz o músico, que toca em todas as faixas de "...E a Gente Sonhando", responde pela produção e divide os arranjos com Milton e Wanger Tiso, que também é de Três Pontas e comparece com seu piano em 11 das 16 faixas do álbum. Para montar o repertório, Milton compôs, sozinho ou com seus parceiros, algumas inéditas, resgatou outras de sua lavra pregressa (a faixa que dá título ao disco, inclusive, foi uma das primeiras músicas completas, letra e melodia, que ele compôs na vida, no início dos anos 60) e deu espaço para obras dos jovens músicos de Três Pontas. "Foi um processo coletivo, íamos tocando, um sugerindo uma coisa, outro propondo outra. Só tem duas músicas que foram indicação minha mesmo, ‘...E a Gente Sonhando’ e a do Lulu Santos", diz, aludindo à inusitada inclusão de "Adivinha o quê?". "Sempre tive uma vontade louca de gravar essa música, mas não tinha onde colocar até surgir esse novo projeto, com essa turma que toca de tudo", completa, sem economizar elogios ao pessoal de Três Pontas que está com ele no disco. "Os primeiros músicos que o Marco me apresentou tocavam rock, mas aquele rock violento mesmo, e muito bem. Depois conheci o pessoal da MPB, uma turma do jazz, mas a verdade é que todos tocam muito", diz.

Cenário musical revigorado - Visitas frequentes de Milton a Três Pontas estimularam a nova geração de cantores e instrumentistas da cidade.

Milton Nascimento nunca deixou de frequentar Três Pontas, mas apenas para visitar os parentes e amigos. Da cena musical, ele estava distante até o período que antecedeu a gravação de "Pietá". De lá para cá, com vistas à gravação de "...E a Gente Sonhando", Milton foi se inteirando cada vez mais da vida musical na cidade que deixou rumo ao sucesso ainda jovem. E ele não hesita em dizer que ficou muito surpreso com o que viu e ouviu. "Na época em que eu vivi lá tinha uma certa efervescência musical, mas agora tem mais, muito mais. O que essa turma atual tem a ver com o que a gente fazia nos anos 50 e 60 é que eles tocam todo tipo de música, sem preconceito, e tocam tudo bem. É muito mais gente atuando hoje do que na época em que eu e o Wagner (Tiso) saímos de lá", diz. Esse contingente, conforme ressalta Marco Elízeo, fiel escudeiro de Milton no projeto de "...E a Gente Sonhando", voltou, ao longo dos últimos anos, a consumir a música do ilustre filho que a cidade adotou (afinal, Milton nasceu no Rio de Janeiro, onde viveu até os dois anos). "Atuei muitos anos como professor e sempre vi uma certa movimentação, de um ou outro falando que gostava de alguma coisa do Milton, mas de um tempo para cá, a partir de ?Pietá?, a coisa tomou uma proporção muito grande. Até o pessoal do rock começou a fazer versões de músicas do Clube da Esquina e do Milton. Você passa no barzinho e vê meninos de 16 anos que tocam na noite fazendo coisas dele. Acho que isso se deve à presença mais constante dele na cidade", diz, em entrevista por telefone. Elízeo destaca que, por conta disso, não foi difícil montar o time que atuaria em "...E a Gente Sonhando". "Tem instrumentistas daqui, um baterista que toca em duas faixas, um guitarrista que está em quase todas, eu toco violão e guitarra, além de fazer voz de apoio, mas a participação mais efetiva é a dos cantores, tanto nos coros quanto nos solos, que são do Bruno Cabral, do Ismael Tiso Jr. e do Tutuca Tiso", diz, destacando que os dois últimos, bem como ele próprio, são da vasta e musical família de Wagner Tiso. Sobre Bruno Cabral, que canta em duas faixas do disco e tem apenas 19 anos, Milton fala com entusiasmo. "Quando o vi cantar, ele quase acabou comigo. Fiquei muito impressionado. Foi o primeiro a quem fiz o convite para gravar", diz.

Intermediador - Marco Elízeo fala de sua amizade com Milton

Músico, produtor e professor, Marco Elízeo, o grande responsável por colocar Milton Nascimento em contato com a nova geração de músicos de Três Pontas, tem 43 anos e toca na noite, em bares e casas noturnas de Três Pontas e região, há 25. Ele tem um estúdio próprio e há dois anos ocupa o cargo de diretor do Conservatório de Música de Três Pontas. Sua formação, conforme aponta, se deu na própria casa. "Sou de uma família tradicional de músicos, que é a família Tiso - o Wagner é primo do meu pai, que não é mais músico profissional, mas atuou muito quando mais novo. Cresci nesse meio, minha casa sempre foi regada a música, meu pai me ensinou os primeiros acordes e depois fui estudar em São Paulo, com Ulisses Rocha. Na parte de produção e áudio, sou autodidata, sempre fui muito curioso", diz. Ele conta que conheceu Milton quando tinha 14 anos de idade e, desde o primeiro momento, estabeleceram uma grande amizade. "Comecei a tocar muito novo, mesmo com um pessoal mais velho, então convivi com muitas gerações de músicas. Foi através de amigos em comum que conheci o Milton", diz, acrescentando que já era fã desde quando escutou pela primeira vez o "Clube da Esquina 2", aos 10 anos de idade. "Aquilo mexeu comigo. Sou muito insistente e resolvi que iria conhecer o Milton, o que aconteceu em uma festa na casa de uma amiga nossa aqui em Três Pontas. Cheguei, falei que queria ser amigo dele, ele me olhou e disse: ?então tá?. E o fato é que ficamos mesmo muito amigos, confidentes até, apesar da diferença de idade. Nunca mais paramos de nos falar, apesar da distância. O Milton já conhecia meu pai, da época de adolescente, e a ligação dele com a família Tiso é muito forte, quer dizer, tudo foi conspirando para essa amizade", conta. Ele diz que já trabalhou com grande parte dos músicos de Três Pontas que estão em "...E a Gente Sonhando" e que conhece bem a cena musical da cidade. "Tem várias tribos aqui, um pessoal mais do rock, outro da MPB, a turma do jazz. Sou um pouco mais velho que a maioria do pessoal, então vários deles foram meus alunos", destaca.

Memória - Tiso recorda início de parceria

Parceiro de primeira hora e presença ilustre em "...E a Gente Sonhando", Wagner Tiso diz que achou uma grande ideia de Milton fazer um disco aglutinando os músicos de sua cidade natal. "A gente saiu de Três Pontas quando meninos, fomos buscar, mas agora, com esse projeto, temos a chance de resgatar as pessoas que ficaram por lá, não só em Três Pontas, mas em toda a região. Tem muita gente talentosa ali", diz, acrescentando que, na verdade, sua cidade de origem sempre foi um celeiro de grandes talentos. Ele ressalta que, a começar por sua própria família, Três Pontas abriga, desde sempre, uma considerável quantidade de músicos. "Quando novo, sempre que eu ia tocar nos bares encontrava meus primos mais velhos, tocando também. Minha família é toda de músicos, eles atuavam e atuam até hoje na região", diz. Tiso aponta que a lembrança mais marcante que guarda de sua infância e adolescência em Três Pontas é o encontro e a amizade que estabeleceu com Milton. "Sou de uma família de músicos tradicionais, vindos do Leste Europeu, afeitos à música clássica. Eu já tinha a coisa da música popular, frequentava as rodas, e descobri o Milton. Eu estava com 8 anos, ele com 11, morávamos quase de frente um para o outro e começamos a atuar em conjuntos vocais, de baile. Aquilo foi por volta de 1960, no máximo, e chegamos a fazer um disco independente, que a gente levava para vender nas festas. Chamava-se ?Férias?, a princípio, mas na segunda leva que a gente mandou imprimir, foi rebatizado ?Barulho de Trem?. A gente ficava trocando ideias sobre música e deu nisso", diz Tiso. Reciprocamente, o que Milton traz na memória de mais marcante do tempo em que viveu em Três Pontas é o encontro com Tiso. "Eu estava em um grupo vocal e um amigo em comum, o Giba, levou o Wagner para cantar com a gente. Nunca mais nos separamos. A gente até dedica o disco ao Giba, que estava à frente de todo mundo, porque sabia que essa dupla ia dar certo. Quando eu tinha 14 anos e o Wagner 11 ou 12, já estávamos tocando juntos na noite, numa boate que existia lá e na qual a gente tinha que ir escondido, por causa do Juizado de Menores. A lembrança forte que guardo é essa, o encontro musical, o início de tudo.

 

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Fones 31 3451.4776 e 8805.4267 - email: contato@avendanova.com.br

GRES Acadêmicos de Venda Nova - Belo Horizonte